Bucim e caixa de empanque: pinga — é normal ou já não é
Quantas gotas por minuto são aceitáveis, em que a empanque de bucim difere da vedação sem água, como reapertar e quando é hora de trocar, não de esticar.
O bucim está pingando. Um diz que é assim mesmo que tem que ser, outro — que o barco está afundando. Ambos têm razão, e a diferença entre as duas verdades está no tipo de vedação que você tem e em quantas gotas exatamente.
Vamos ver como distinguir o normal do início de um problema.
O que está instalado ali
O eixo de hélice sai do casco para fora, e o ponto de saída precisa ser vedado. Há duas formas, e elas se comportam de maneiras diferentes.
A empanque de bucim — a clássica. No casco fica compactado um cordão engraxado de seção quadrada, apertado por uma porca. Ela deve pingar: as gotas levam embora o calor do atrito e lubrificam o eixo. Uma empanque seca superaquece e desgasta o eixo.
A vedação sem água — a variante moderna: um par de atrito de grafite e aço inoxidável, comprimido por um fole. Ela não deve vazar de forma alguma. Uma única gota já é um sinal.
Antes de fazer qualquer coisa, olhe com atenção o que você tem instalado. A empanque é fácil de reconhecer: duas porcas na rosca e uma caixa de empanque. A sem água é uma borracha corrugada lisa com um anel.
Quantas gotas são normais
Para a empanque de bucim, as referências são estas:
- Em navegação — de uma a três gotas por minuto. Foi sempre feito assim e é o que está escrito na maioria dos manuais.
- Parado — não deve pingar nada ou muito raramente.
- Um filete ou mais de dez gotas por minuto — é hora de reapertar.
- Seco em navegação e o corpo quente — está apertado demais, afrouxe imediatamente.
Verifique com a mão: o corpo da caixa de empanque, depois de uma hora de navegação, deve estar morno, mas suportável para a palma da mão. Se queima, está apertado demais, e o eixo está sendo desgastado agora mesmo.
Para a vedação sem água, a norma é mais simples: seco. Se pinga, ou o par de atrito acabou, ou há ar no sistema, ou a mangueira de alimentação de água está entupida.
Como reapertar a empanque
Trabalho de quinze minutos, mas com uma condição: de preferência na água e com o motor funcionando no final, para verificar o resultado na hora.
- Afrouxe a contraporca.
- Aperte a porca de compressão em um sexto de volta, não mais. É menos do que parece.
- Aperte a contraporca.
- Ligue o motor, deixe funcionar em marcha lenta por cinco minutos.
- Conte as gotas e toque o corpo.
- Se ainda pinga muito, repita mais um sexto de volta. Nunca aperte "de uma vez, bem apertado".
A regra é simples: melhor apertar de menos e reapertar de novo do que apertar demais de uma vez.
Se a porca chegou ao fim do curso e o vazamento não diminui — a empanque acabou. Não há mais o que apertar, é preciso trocar.
Quando trocar a empanque
- A porca está toda recolhida.
- O vazamento não diminui ao reapertar.
- Sai farelo em vez de cordão de baixo da porca.
- O eixo, no trecho de passagem da empanque, está desgastado — um sulco perceptível ao toque do dedo.
Este último ponto é mais importante que os demais. Uma empanque nova não salva um eixo desgastado: ela vai se acomodar no sulco antigo e voltar a vazar. Aqui já é trabalho com o barco fora d'água, com verificação do eixo.
A empanque costuma ser trocada em terra. Na água, isso é feito apenas por pessoas experientes e apenas com a torneira de fundo fechada e a bomba de porão pronta — porque, por alguns minutos, você abre um orifício abaixo da linha d'água.
O que verificar de passagem
Já que você está nesse compartimento:
- A mangueira do bucim e as abraçadeiras. Devem ser duas abraçadeiras, ambas de inox. Se a mangueira endurece e racha — a mesma lógica das torneiras de fundo.
- A alimentação de água para a vedação sem água, se houver: uma mangueira fina vinda do circuito de arrefecimento. Se entope, a vedação a seco não dura muito.
- A folga do eixo. Segure o eixo com a mão e balance: uma folga perceptível é o mancal do eixo, não a empanque.
- O alinhamento. Se o vazamento apareceu depois que o barco foi içado ou os coxins do motor foram trocados, o problema pode estar na centragem desalinhada.
O que manter a bordo
O bucim não é o lugar onde se quer improvisar no mar.
- Cordão de empanque da seção certa, um metro. É barato e não estraga.
- Abraçadeiras sobressalentes.
- Chaves para as porcas da empanque — geralmente precisam ser grandes, e o jogo comum não é suficiente.
- Um tarugo de madeira de diâmetro adequado, como para toda a torneira de fundo.
O que mais vale levar a bordo — no artigo sobre reserva a bordo.
Se está vazando muito agora mesmo
- Avalie o fluxo. Se a bomba dá conta, há tempo.
- Aperte a porca meia volta, se for empanque. Ajuda temporariamente.
- Reduza a rotação. O vazamento pelo bucim aumenta com a rotação do eixo.
- Siga para a costa e monitore o porão.
Não desligue o motor sem necessidade: em muitos barcos, com o motor funcionando, o vazamento é menor do que com o eixo parado navegando a vela.
O que tirar de medida, se precisar de uma peça
As vedações de bucim têm dimensões rígidas, e "algo parecido" não serve.
- Diâmetro do eixo, medido com paquímetro.
- Seção da empanque antiga — é quadrada, precisa da medida do lado.
- O conjunto completo montado, para que se veja o tipo e a disposição.
- A marcação na vedação sem água, se houver.
- A placa de identificação do motor — como ler, por ela se determina a linha do eixo.
Com esse conjunto de dados, tanto a empanque quanto a vedação completa podem ser encontradas, mesmo quando o barco tem trinta anos e a fábrica já não existe mais.
Em resumo
A empanque deve pingar: uma a três gotas por minuto em navegação. A vedação sem água não deve pingar de forma alguma. Reaperte em incrementos de um sexto de volta e toque o corpo com a mão — quente demais significa apertado demais. E se a porca acabou e o vazamento continua, não há mais o que apertar: é hora de trocar.