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2026-09-06 · 7 мин

A âncora não segura: por que o iate garra e o que realmente decide

Quanto de corrente dar, por que o fundo importa mais que a âncora, como perceber que você está garrando, e o que fazer à noite quando o ferro garra e você é levado contra o barco vizinho.

A âncora não segura pelo peso. A âncora segura pelo comprimento da corrente, pelo tipo de fundo e pela forma como foi fundeada. O peso é o quarto item em importância, e é exatamente por isso que barcos com âncoras grandes garram com regularidade.

Vamos ver o que realmente decide.

O número principal: quanto dar de corrente

A âncora funciona quando a corrente, junto ao fundo, fica horizontal. Ela puxa a unha ao longo do fundo e faz com que se enterre. Assim que a corrente começa a puxar para cima, a âncora sai do fundo — independentemente do quanto pesa.

Daí vem uma regra simples, e ela é mais importante que todas as outras.

Comprimento de linha de fundeio dado em relação à profundidade:

  • no mínimo 5 para 1 — fundeio comum com corrente em tempo calmo;
  • 7 para 1 — se o vento estiver forte ou houver previsão de intensificação;
  • 10 para 1 — fundeio em condições de tempestade;
  • acrescente ainda mais ao comprimento da linha combinada, se você usa cabo com um trecho de corrente: ela é mais leve e mantém pior a forma.

E calcule a profundidade a partir do roletão de proa, não da superfície da água: é a altura do costado mais a profundidade sob a quilha. Num barco com proa alta, a diferença chega a um metro e meio ou dois.

O erro mais comum no fundeio é dar corrente "a olho", numa proporção de três para um, porque os barcos ao redor estão muito próximos. Isso não é fundear, é apostar que não vai ventar.

O fundo importa mais que a âncora

A mesma âncora segura de forma diferente em fundos diferentes, e a diferença é enorme.

  • Areia — o melhor fundo. Segura quase qualquer âncora e de forma previsível.
  • Lama e argila — seguram bem, mas a âncora precisa de tempo para se enterrar. Não puxe de imediato.
  • Grama marinha e algas — o pior caso. A âncora fica sobre um tapete e desliza. Procure manchas de areia: com máscara de mergulho ou pela cor da água.
  • Pedra e cascalho — a fixação depende só de um engate por acaso. Pode segurar firme ou não segurar nada, e depois é difícil desprender.
  • Coral — não fundeie. Segura mal e, além disso, não se pode destruí-lo.

Olhe a carta náutica: o tipo de fundo geralmente está indicado nela. Cinco segundos de leitura economizam uma noite.

Como fundear

A sequência que funciona, e nela não há nada supérfluo.

  1. Passe pelo local e observe a profundidade, o fundo e como os vizinhos estão fundeados.
  2. Posicione-se de proa ao vento e reduza a velocidade a zero.
  3. Desça a âncora, não a jogue. Uma âncora largada de uma vez cai sobre a própria corrente e não se enterra.
  4. Vá para trás em marcha lenta, dando corrente de forma uniforme. A corrente deve ficar estendida em linha, não amontoada.
  5. Depois de dar o comprimento calculado, trave a corrente e engrene a marcha à ré em rotação média por uns vinte segundos.
  6. Observe a costa. Duas referências alinhadas — se elas se desalinharem, você está garrando.

O item cinco é o que mais se pula, mas é o único que responde com honestidade se a âncora está segurando. Trinta segundos de marcha à ré à noite valem uma noite tranquila.

Como perceber que você está garrando

  • O alinhamento de duas referências na costa se desfaz.
  • O barco ficou de través ao vento e parou de guinar — muitas vezes o primeiro sinal.
  • A corrente dá puxões bruscos, em vez de ficar tensionada de forma constante.
  • Passa uma vibração pela corrente, perceptível ao toque da mão na proa.
  • Alarme de garrada no instrumento ou no telefone.

O alarme de garrada no telefone é a melhoria de segurança mais barata que existe. Configura-se em um minuto e acorda a tempo.

Se o ferro garrar à noite

A sequência de ações, para não precisar pensar no escuro:

  1. Ligue o motor. Antes de qualquer outra coisa.
  2. Acorde a tripulação e acenda as luzes do convés.
  3. Avance de proa ao vento, para tirar a carga da corrente e interromper a deriva.
  4. Recolha a âncora por completo, sem tentar refundear em movimento.
  5. Afaste-se para águas livres e fundeie novamente, com o comprimento correto de corrente.

O que não fazer: tentar "dar mais corrente" enquanto está à deriva. Enquanto você dá corrente, o barco é levado, e na maioria das vezes é levado contra o vizinho.

Fundeio perto de outros barcos

  • Todos devem usar o mesmo tipo de fundeio. Um barco com corrente e um barco com cabo giram de forma diferente, e na mudança de vento eles se aproximam.
  • Calcule o raio de giro — é o comprimento da corrente dada mais o comprimento do barco. Seu círculo não deve cruzar o de outro barco.
  • Chegou por último — quem sai é você. É uma regra geral, e discutir com ela não adianta.
  • Não fundeie diretamente sobre a corrente de outro barco. Ao levantar a âncora, você vai puxar a dele junto com a sua.

O que verificar no próprio equipamento de fundeio

Uma vez por temporada, ou melhor ainda, antes de cada travessia longa:

  • Manilha de ligação entre a âncora e a corrente: se está contrapinada e se o pino não está desgastado.
  • Giratório, se houver: se gira livremente e se não há trincas.
  • Marcações na corrente. Sem marcação você não sabe quanto deu de corrente, e a regra de cinco para um não funciona.
  • Fixação da extremidade interna da corrente no paiol de corrente. Ela deve existir e deve poder ser cortada com faca: se for preciso largar tudo, não haverá tempo para procurar uma ferramenta.
  • Desgaste da corrente junto à âncora — é ali que ela se desgasta mais rápido.

O que medir, se for preciso uma peça

No equipamento de fundeio, tudo depende da bitola da corrente, e um tamanho "quase igual" não vai passar pela roda de corrente do guincho.

  • Bitola da corrente — a espessura do elo medida com paquímetro.
  • Roda de corrente do guincho em close, de preferência com a corrente encaixada nela.
  • Placa de identificação do guincho — fabricante e modelo.
  • Manilha e giratório ao lado de uma régua.

Com esse conjunto de informações, é possível encontrar tanto a corrente quanto a manilha e as peças de reposição do guincho, mesmo que o modelo esteja fora de fabricação há muito tempo.

Em resumo

Dê no mínimo cinco para um, contando a partir do roletão. Verifique o fundo pela carta e a olho nu. Desça a âncora, não a jogue. E sempre teste com a marcha à ré — é a única prova honesta de que ela está segurando. Todo o resto é esperança.

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