Baterias a bordo: por que o banco morre em uma única temporada
Por que as baterias descarregam, no que diferem chumbo e lítio na prática, quanta capacidade é realmente necessária e como saber que o banco já está morto.
Uma bateria de barco dura, em média, metade do que poderia durar. O motivo é quase sempre o mesmo, e não é a qualidade da bateria.
Vamos ver o que a mata, quanta capacidade é realmente necessária e como distinguir um banco cansado de um morto.
O que realmente mata a bateria
Descarga profunda
Uma bateria de chumbo não gosta de descer abaixo da metade. Descarregou até trinta por cento uma vez — perdeu parte da capacidade para sempre. Fez isso vinte vezes na temporada — o banco acabou.
Daí uma consequência simples que surpreende muita gente: de uma bateria de cem ampères-hora, você tem disponível cinquenta. Tudo abaixo disso, você está pegando emprestado da próxima temporada.
Subcarga crônica
A segunda causa, menos óbvia. O motor em ancoragem roda por uma hora, o alternador entrega a maior parte da carga rapidamente, mas os últimos por cento entram devagar e aos poucos. No fim, a bateria vive meses carregada em oitenta por cento.
Para o chumbo, isso é uma morte lenta: nas placas cresce sulfato que já não se dissolve. A bateria parece funcionar, mas a capacidade vai derretendo.
Calor
Cada dez graus acima de vinte e cinco reduz a vida útil pela metade. Uma bateria no compartimento do motor sem ventilação envelhece mais rápido do que uma igual num compartimento fresco.
Invernagem descarregada
Um eletrólito descarregado é quase água, e congela a menos dez graus. Um carregado suporta menos quarenta. Mais detalhes sobre invernagem — no artigo sobre conservação.
Chumbo ou lítio: o que isso significa na prática
Não faz sentido discutir isso de forma genérica, então vamos ponto a ponto ao que muda a bordo.
Capacidade disponível. No chumbo — metade do nominal. No lítio — cerca de noventa por cento. Ou seja, um banco de lítio de cem ampères-hora substitui um de chumbo de duzentos.
Peso. O lítio é cerca de três vezes mais leve para a mesma capacidade disponível. Em um barco pequeno, isso se nota.
Velocidade de carga. O chumbo aceita os últimos vinte por cento devagar e com relutância. O lítio aceita a carga quase até o fim em plena potência. Na prática, isso significa que uma hora de motor basta, e não "meio que carregou".
Vida útil. Chumbo — três a cinco anos com cuidado. Lítio — dez anos ou mais, se não congelar nem superaquecer.
Preço. O lítio custa duas a três vezes mais na compra. No custo por ano de serviço, a diferença já não é tão grande.
O que o lítio exige. Um sistema próprio de gerenciamento da bateria e, em geral, um carregador diferente e um perfil de carga diferente pelo alternador. Colocar lítio no lugar do chumbo sem mexer em mais nada geralmente não é possível. Esse é o principal item de custos ocultos na transição.
Quanta capacidade é necessária
Calcula-se de forma simples, sem fórmulas de livro didático.
- Liste tudo que consome corrente e quantas horas por dia funciona: geladeira, iluminação, piloto automático, instrumentos, carregamento de celulares, bomba.
- Multiplique o consumo pelas horas, some tudo. Você obtém o gasto diário em ampères-hora.
- Multiplique pelo número de dias entre recargas.
- Para chumbo, multiplique ainda por dois. Para lítio — por um e um décimo.
Um erro comum é esquecer a geladeira. Ela funciona vinte e quatro horas por dia e, no calor, representa mais da metade de todo o consumo.
O segundo erro é calcular pela potência nominal dos aparelhos, e não pelo funcionamento real. O piloto automático em água calma e o mesmo piloto com vento forte consomem várias vezes mais em um caso do que no outro.
Como saber que o banco já está morto
Tensão sob carga. Uma bateria de chumbo totalmente carregada e em repouso mostra cerca de 12,7 V. Se depois de uma noite ela mostra 12,2 ou menos — a carga foi embora ou a capacidade já não existe.
Subida rápida e queda rápida. Uma bateria que "carrega" totalmente em dez minutos e descarrega em uma hora — é o clássico do banco morto. A carga é aceita apenas na superfície.
Diferença entre bancos no conjunto. Se uma bateria do par esquenta mais ou mostra uma tensão diferente — ela está puxando a outra para baixo. Trocam-se as duas.
Carcaça inchada, cheiro, vazamentos. A conversa acabou, trocar imediatamente.
Regras que dobram a vida útil
- Bateria de partida e bateria de serviço são diferentes. A de partida entrega corrente alta por pouco tempo, a de serviço entrega corrente baixa por muito tempo. Uma única bateria para os dois papéis não serve bem para nenhum deles.
- Carregar até o fim, não até "já está bom". A cada duas semanas, deixar a bateria chegar a cem por cento a partir da rede de terra ou do alternador.
- Não misturar baterias diferentes num mesmo conjunto. Idade diferente, tipo diferente, capacidade diferente — a mais fraca puxa as demais para baixo.
- Manter os terminais limpos. Óxido no terminal cria resistência, por causa da qual a bateria nunca completa a carga.
- Instalar um monitor de bateria. Um voltímetro mostra pouco, um contador de ampères-hora mostra a verdade. É o único aparelho que se paga imediatamente.
O que anotar se for preciso substituir
As baterias têm restrições rígidas de dimensões e posição dos terminais: no barco, o compartimento para elas raramente tem folga.
- A etiqueta completa da bateria — tipo, capacidade, corrente de partida a frio.
- A bateria dentro do compartimento, para ver de que lado ficam os terminais e quanto espaço há ao redor.
- Medidas do compartimento com trena — comprimento, largura, altura considerando terminais e tampa.
- O carregador e suas configurações, se estiver planejada a transição para lítio: na maioria das vezes ele também precisa ser trocado.
Com esse conjunto de informações, encontra-se uma posição compatível mesmo quando o modelo anterior saiu de linha — as baterias têm uma gama de tamanhos extensa, e o substituto quase sempre existe.
Em resumo
A bateria é morta pela descarga profunda e pela subcarga crônica, não pela idade. Calcule a capacidade disponível com honestidade: no chumbo, é a metade do que está escrito na carcaça. Separe a de partida da de serviço, instale um contador de ampères-hora e, a cada duas semanas, carregue até o fim. Isso é suficiente para que o banco cumpra seu tempo de vida, e não apenas metade dele.