Rotor da bomba de água do mar: por que se desfaz e o que fazer quando não há kit de reparo
A avaria mais comum do motor de embarcação. Sinais, primeiros socorros, substituição por conta própria e o que fazer quando o kit de reparo saiu de linha.
De todas as avarias que deixam a embarcação atracada, esta é a mais frequente. O rotor de borracha da bomba de água do mar custa pouco, dura duas ou três temporadas e, ao se desfazer, costuma levar junto o trocador de calor e, às vezes, o cabeçote.
Vamos por partes: como identificar que é ele; o que fazer nos primeiros cinco minutos; como trocá-lo; e o que fazer quando o kit de reparo do seu motor não é mais fabricado.
Como identificar que o problema é o rotor
Três sinais, que costumam aparecer juntos.
- A água parou de sair pelo escapamento. Na maioria dos motores, a água do mar é expelida junto com o gás de escape. O jato enfraqueceu ou desapareceu — este é o primeiro sinal, e o mais confiável.
- A temperatura subiu. O ponteiro sobe em marcha lenta e, sob carga, entra na faixa vermelha mais rápido que o normal.
- Sal e cheiro. Se o rotor já se desfez há algum tempo e o motor continuou sendo usado, soma-se o cheiro de borracha superaquecida e depósito de sal no coletor de escape.
Não arrisque mais nada: desligue o motor. Cada minuto de funcionamento sem água consome a vida útil do rotor do trocador de calor e do cotovelo de escape.
Os primeiros cinco minutos
- Desligue o motor. Nada de "termino de chegar até a marina". A marcha seca não mata o rotor — ele já está destruído — mas sim tudo que vem depois no circuito.
- Verifique a válvula de fundo (kingston). Metade dos "rotores mortos" acaba sendo uma válvula de fundo fechada. Abra, feche, abra: assim também sente se não está entupida.
- Confira o filtro de água do mar. Sacola plástica, algas, plástico na grade — é comum depois de fundear em água turva.
- Só depois retire a tampa da bomba.
Se a válvula de fundo está aberta, o filtro está limpo e o rotor está em farrapos — o diagnóstico está confirmado.
Por que ele se desfaz
A borracha trabalha a seco por frações de segundo a cada partida, e isso é normal. O que não é normal:
- Partida a seco. O motor foi girado com a válvula de fundo fechada ou após o inverno sem água no circuito. Meio minuto — e as pás ganham uma dobra pela qual se rompem um mês depois.
- Idade. Mesmo um rotor intacto endurece em três ou quatro anos. A borracha envelhece pela temperatura e por ficar parada na mesma posição, não só pelo uso.
- Areia e lodo. Fundear em águas rasas, entrar em rio turvo — o abrasivo desgasta as bordas das pás em uma temporada.
- Desalinhamento do eixo ou riscos na carcaça. Se um rotor novo se desgastou em uma única temporada, o problema não é ele, e sim a carcaça da bomba. Passe a unha na parede interna: se sentir um sulco, é a carcaça que precisa ser trocada.
Substituição: como é feita
Meia hora de trabalho, se a tampa for acessível. Em alguns motores é preciso remover o alternador ou o filtro de ar para chegar à bomba: reserve uma hora.
- Feche a válvula de fundo. Caso contrário, a água entrará no porão.
- Retire a tampa da bomba. Geralmente quatro a seis parafusos. Tenha a junta ou o anel de vedação novos à mão: os antigos quase sempre rasgam.
- Retire o rotor. Um extrator específico ajuda, mas duas chaves de fenda também resolvem, trabalhando com um forro macio e sem arranhar a carcaça.
- Conte as pás. Este é o passo mais importante de todo o procedimento — sobre ele, mais adiante.
- Lubrifique o novo. Glicerina ou solução de sabão. Nunca graxa mineral: lubrificantes à base de petróleo corroem o nitrílico.
- Instale no sentido de rotação correto. As pás devem estar curvadas para o mesmo lado do rotor removido. Se instalado ao contrário, elas se dobram nos primeiros minutos.
- Monte, abra a válvula de fundo, ligue o motor e observe o escapamento. O jato deve aparecer em dez a quinze segundos.
Sobre a contagem das pás
Se faltam pás no rotor removido, elas não desapareceram. Foram parar mais adiante no circuito e estão alojadas no trocador de calor, às vezes no cotovelo de escape.
Recontagem: a maioria dos rotores tem seis, oito ou doze pás. Procure a que falta — abra a tampa do trocador de calor e remova os fragmentos. Um pedaço de borracha esquecido bloqueia parte dos tubos, o motor começa a esquentar sob carga, e um mês depois você está de volta ao mesmo trabalho, só que com a junta do cabeçote já queimada.
O que fazer quando o kit de reparo não existe mais
Conversa comum com o revendedor: "o kit para o seu motor saiu de linha". Isso quase nunca significa que a peça deixou de existir. Significa que aquele revendedor específico parou de estocá-la.
A bomba do seu motor, muito provavelmente, não foi feita pelo fabricante do motor. Bombas de água do mar para dezenas de marcas são produzidas por poucos fabricantes especializados — Jabsco, Johnson Pump, Sherwood e outros. Na carcaça da bomba quase sempre há um número próprio, diferente do número do motor. Por ele, a peça é encontrada onde, pelo código "do motor", ela não aparece.
Em seguida, na ordem:
- Estoques de revendedores. Não só o seu: os estoques de revendedores existem pelo mundo todo, e um item fora de linha muitas vezes ainda está tranquilamente na prateleira em outro país.
- Fabricante da bomba. Aquele mesmo número gravado na carcaça.
- Equivalentes compatíveis. Os rotores seguem uma faixa de dimensões: diâmetro externo, largura, diâmetro e perfil do encaixe no eixo, número de pás. Se as dimensões coincidem, a peça serve, mesmo que a caixa tenha outra marca.
- Desmanches e sobras de estoque. É justamente aqui que mais se encontra o que está "fora de linha".
O que não vale a pena fazer: imprimir um rotor em impressora 3D. O perfil da pá determina o fluxo, os encaixes são medidos em centésimos, e a carga é alternada. Uma peça impressa vai falhar e destruir a bomba depois de cem horas — no mar.
O que fotografar para encontrar a peça rápido
Se você mesmo está procurando ou está nos encarregando disso, precisamos de três fotos. Elas economizam um dia inteiro de troca de mensagens.
- A placa de identificação do motor, de perto. Fabricante, modelo, número de série. Fotografe de frente e sem reflexos.
- A carcaça da bomba com o número. Aquele mesmo número próprio do fabricante da bomba.
- O rotor antigo ao lado de uma régua, dos dois lados. São necessários o diâmetro externo, a largura e o diâmetro do furo de encaixe no eixo.
Se a inscrição na placa está parcialmente apagada, fotografe assim mesmo. Metade dos dados é melhor do que um conjunto completo inventado: o resto se reconstrói pelo formato da placa e pelo local de instalação.
Em resumo
O rotor é um consumível. Troque-o a cada duas temporadas, sem esperar a falha, e leve um sobressalente a bordo junto com a junta da tampa. É a única peça capaz de encerrar as férias no segundo dia, e custa menos que uma noite de marina.